Encontradas em algumas lápides no Cemitério dos Ingleses e outros campos santos, a sigla "IHS" se refere às primeiras três letras do nome de Jesus, quando escrito no alfabeto grego - iota, eta e sigma - que foram transcritas incorretamente no alfabeto latim/inglês como "IHS". Esta sigla tornou-se muito popular na Idade Média e surgiram várias explicações sobre seu significado, a mais comum sendo "Iesus Hominum Salvator" ("Jesus, Salvador da Humanidade", em latim).
Fonte: Igreja Anglicana do Canadá
Friday, December 05, 2008
O significado da sigla "IHS"
Encontradas em algumas lápides no Cemitério dos Ingleses e outros campos santos, a sigla "IHS" se refere às primeiras três letras do nome de Jesus, quando escrito no alfabeto grego - iota, eta e sigma - que foram transcritas incorretamente no alfabeto latim/inglês como "IHS". Esta sigla tornou-se muito popular na Idade Média e surgiram várias explicações sobre seu significado, a mais comum sendo "Iesus Hominum Salvator" ("Jesus, Salvador da Humanidade", em latim).
Fonte: Igreja Anglicana do Canadá
Wednesday, December 03, 2008
Espaço vivo

| por Paulo Valadares |
Eles nunca gozaram de boa fama, e pede o bom senso que sejam o último lugar a ser visitado em qualquer cidade. Não é o caso, entretanto, da cidade que mais recebe turistas no mundo, onde a sétima atração turística mais freqüentada é – pasmem – um cemitério. Os túmulos do Père Lachaise, em Paris, recebem hordas de visitantes do mundo inteiro, competindo com os famosos museus. Entre nós, todavia, “visitar um cemitério” ainda soa estranho. Na contramão dos preconceitos, pretende-se demonstrar como a visita a um cemitério – em suas diversas dimensões sociais, religiosas e artísticas – pode ser tão produtiva e prazerosa quanto a visita a uma biblioteca ou museu. O cemitério é uma criação recente no mundo luso-brasileiro, e antes de sua difusão as pessoas eram sepultadas dentro das igrejas católicas. A explosão demográfica e as possibilidades de propagação de doenças acarretaram a proibição desse costume. Houve mesmo revoltas populares durante a fundação dos primeiros cemitérios no país, e uma delas, ocorrida em Salvador, no ano de 1836, foi liderada por um coronel e batizada de Cemiterada. Mesmo com a implantação de cemitérios laicos, a Igreja Católica continuou com o controle do novo espaço, impedindo muitas vezes que nele fossem enterrados cristãos de confissão protestante, assim como muçulmanos e judeus. A ocupação dos cemitérios obedece, geralmente, a critérios religiosos, econômicos ou sociais. Os principais cemitérios religiosos no Brasil foram destinados aos protestantes históricos e judeus. Com o surgimento de outras comunidades etnoculturais, surgem mais cemitérios exclusivos. Essa tendência, entretanto, não é nova: no povoado sergipano de Samambaia, município de Tobias Barreto, há muito existem dois cemitérios distintos: um laico, para os católicos, e outro para acatólicos, sobretudo presbiterianos de origem cristã-nova portuguesa. Há notícias mesmo de que no Maranhão, em Barra do Corda, ainda existe um cemitério para brancos e outro para negros. Nas grandes cidades, porém, prevalece a divisão econômica, com cemitérios para ricos, e outros para os pobres. Para melhor ilustrar a riqueza de informações e experiências estéticas que este espaço social pode oferecer, tomaremos como exemplo o cemitério São João Batista, situado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Fundado em 1851, pela Santa Casa de Misericórdia, o São João Batista sempre teve grande relevância social na vida da cidade. Ficava próximo da Corte, e foi o último endereço de nobres e altos funcionários do Império. Depois, com o advento da República, passou a acolher presidentes, ministros, artistas populares e gente comum. Sua entrada principal, na rua General Polidoro – o próprio Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão, visconde de Santa Teresa (1802-72), está sepultado no cemitério –, desemboca na grande alameda central, que os coveiros chamam de “Vieira Souto” (nome de uma elegante avenida da abastada zona sul carioca), e onde repousam grandes personalidades da história brasileira. Logo no início, o túmulo do príncipe Sebastião de Belford (falecido em 1911), traz uma lápide sóbria, decorada com o brasão familiar, dois leões por timbre e o retrato de Sua Alteza num medalhão. Perto dele está o singelo túmulo do marechal Costa e Silva (1902-69) e sua esposa, e do outro lado da alameda descansa, sob a sombra de uma árvore, o compositor Tom Jobim (1927-94). Mais ao fundo se encontra o túmulo de Vicente Celestino (1894-1968), e de sua esposa, a cantora Gilda de Abreu (1904-79) – o roubo do busto que o encimava, em 2004, ganhou os noticiários policiais, e o tornou nacionalmente conhecido. No fim da alameda está o impressionante cenotáfio – túmulo ou monumento fúnebre em memória de alguém cujo corpo não jaz ali sepultado –, do inventor Santos Dumont (1873-1932); e defronte, num túmulo de mármore negro, jaz a cantora e atriz Carmen Miranda (1909-55). Mas não é apenas pelos túmulos de personalidades históricas que o São João Batista deve ser visitado. De fato, trata-se de um verdadeiro museu a céu aberto, onde se pode desfrutar de um acervo artístico da mais alta qualidade. Grandes escultores trabalharam em obras com finalidade cemiterial. Clarival do Prado Valladares (1918-83), pioneiro no estudo sistematizado dos cemitérios brasileiros, aponta obras significativas do São João Batista, como o imponente portão de entrada, a mulher reclinada que encima a sepultura de Braúlia Pascoal Lopes Machado (1881-1913), a estátua da filantropa Clarice Índio do Brasil (1864-1919), e a alegoria da desolação no túmulo do barão Jaime Smith de Vasconcelos (1884-1933). Outras obras, no entanto, também chamam a atenção, a exemplo da linda escultura do túmulo de Rodolpho Bernardelli (1852-1931), esculpida pelo próprio. Através da observação de estátuas e lápides, pode-se conhecer melhor a vida de um personagem ou as características de uma época. Pois, se o morto não pode mais nos contar sobre sua vida passada, muitas vezes seu túmulo pode. Trata-se de um recado congelado no tempo, uma tentativa atemporal de diálogo com os vivos, que se dá através de símbolos e textos agregados. Algumas informações aparecem claras, como notações de locais e datas de nascimento e morte. Outras, porém, são passadas através de sinais que poderão ser decodificados pelo espectador mais atento. Também é possível identificar os pensamentos que marcaram a cidade do Rio de Janeiro. Basta contar as cruzes, as imagens cristãs de Jesus e dos santos católicos, mais a centena ou milhares de epígrafes políticas que encontramos no São João Batista, para ver a importância do catolicismo e do positivismo na vida carioca. Esses sinais são encontrados até em túmulos de personagens que não demonstraram em suas vidas este engajamento, mas cujas famílias pertenciam a tais linhagens espirituais. No jazigo da família Heilborn, onde repousa o jornalista “ateu” Paulo Francis (1930-1997), está a legenda evangélica: “eu sou a ressurreição e a vida. João II. 25”. E, no da cantora Marília Batista (1918-90), a princesinha do samba, vem a divisa de Augusto Comte: “o amor por princípio, e a ordem por base, o progresso por fim”. O pai da cantora era um oficial do Exército. Ao lado dessa influência cristã e positivista, há também sinais da presença do ocultismo e da maçonaria – como o ramo de acácia, que é símbolo do imutável e da imortalidade da alma, e também marca quem passou por uma iniciação e conhece alguns mistérios. Outro exemplo é a capela em forma de pirâmide egípcia, guardada por uma figura feminina e uma esfinge, onde está sepultado Henrique Hermeto Carneiro Leão, barão do Paraná (1874-1916), e que registra sua iniciação ao ocultismo. Os túmulos de judeus e muçulmanos são identificados pela estrela de Davi e o crescente, respectivamente. Há também as insígnias profissionais: símbolos que identificam as atividades exercidas ainda em vida. Muitas vezes é encenado um pequeno episódio da vida laboral. O dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-80), por exemplo, tem o seu busto em frente a uma velha máquina de escrever. Já o almirante Eduardo Wandenkolk (1838-1902), que foi ministro da marinha, tem uma bóia e uma âncora. No túmulo do compositor Ary Barroso (1903-64), encontra-se uma figura alegórica: uma musa tristonha carregando um pandeiro – alegoria da saudosa e saudosista música do compositor. É preciso estar atento, pois muitos símbolos se confundem com elementos decorativos e podem passar despercebidos. É o caso das papoulas que representam o sono eterno, da ampulheta que lembra a brevidade da vida, da coluna partida anunciando a vida interrompida por um acidente, do pelicano que ressalta o amor materno, ou da coruja que simboliza a paciência e a sabedoria. Eis o cenário do São João Batista, freqüentado diariamente por uma pequena multidão – desde pessoas do bairro que o utilizam para cortar caminho, funcionários da administração, trabalhadores da limpeza e coveiros, até os empreiteiros que cuidam das sepulturas. Mas o cemitério também conta com suas próprias histórias e personalidades. Uma delas foi dona Ottilia Manfredi, falecida em 2000, e que desde 1946 visitava o túmulo do filho aviador, morto num acidente aéreo, e que, nas ocasiões do seu aniversário, brindava os coveiros com uma bebida chamada leite-de-onça, mistura de cachaça, leite condensado e chocolate. Outro ilustre é o sr. Jaime Sabino, vulgo Jaiminho, antigo figurante de chanchadas, e que desde a morte de Getúlio Vargas freqüenta as capelas onde se velam as celebridades. Sua figura diminuta e compungida é facilmente identificada nas fotografias do sepultamento de famosos. E, como não poderia faltar, o sobrenatural também tem seu representante: o mítico bode centenário que assusta as pessoas com suas aparições no morro de São João. Ninguém viu, mas ele também é parte da história do local. Paulo Valadares é mestre em história social pela Universidade de São Paulo (USP), e co-autor, com Guilherme Faiguenboim e Anna Rosa Campagnano, do Dicionário Sefaradi de sobrenomes (Dictionary of Sephardic surnames) . |
Revista de História da Biblioteca Nacional
Assim nasce uma elite
| Escavações do metrô de Salvador revelam um cemitério de produtos sofisticados com quase 150 anos |
No pote de cerâmica branco e azul revela-se o retrato de uma época. Tempo em que o capitalismo ampliava seu impacto no mundo, levando produtos industrializados para cidades coloniais ansiosas por imitar o modo de vida da velha e boa civilização européia. Por exemplo: Salvador. Louças inglesas de marca, frascos de perfume francês, porcelana chinesa, remédios americanos, bebidas que faziam sucesso entre os ricos, talheres, escovas de dentes, cachimbos e peças utilitárias... Um “cemitério” com mais de 40 mil objetos ou fragmentos veio à tona em uma despretensiosa escavação no Campo da Pólvora, na capital baiana. Despretensiosa porque, embora abrindo caminho para a expansão do metrô, a empreitada não prometia encontrar muito mais do que os alicerces da antiga Casa da Pólvora, depois quartel, que existiu ali até meados do século XIX. A surpresa foi descobrir que estavam depositados na área os restos de demolições de casas próximas ocorridas no final daquele século. Junto com destroços de construção, lá estava um enorme e variado estoque de objetos pessoais. Na época, habitava o entorno do Campo de Pólvora (hoje uma praça urbanizada) o que hoje chamamos de “classe média alta”. Médicos, religiosos, professores, funcionários públicos. Gente que, sempre que podia, desfrutava dos luxos aristocráticos, como mostra a coleção desencavada. “A coleção revela o interesse das classes de maior poder aquisitivo em copiar o modo da Corte, do Rio de Janeiro”, sintetiza Ana Maria Cavalheiro de Lacerda, arquiteta da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que participa da pesquisa desde o início, em 2001. A melhoria das condições de vida não se dava só dentro de casa: data da mesma época a expansão de serviços públicos, como abastecimento de água, iluminação e transporte. “É o momento em que se investe em melhorias nas cidades, aumenta a preocupação com higiene e saneamento, o Brasil quer se mostrar ao mundo como progressista”, completa. A variedade, o tamanho e a boa conservação dos objetos facilitaram sua identificação e a datação. Mas o volume do acervo era tão grande que só agora a catalogação do material está chegando ao fim. Começa então a análise mais detalhada dos materiais. Enquanto isso, os pesquisadores tentam usar as descobertas como trunfo para criar um “Museu dos Trilhos”, associado às novas estações do metrô. Ele contaria a evolução da cidade por meio das mudanças nos transportes. Seja qual for o gancho, Salvador tem nas mãos a chance de “conviver” novamente com sua elite de quase 150 anos atrás. |
Revista de História da Biblioteca Nacional
Darwin e Wallace têm seus caminhos históricos refeitos
| Revista de História da Biblioteca Nacional Caminhos históricos |
| Expedições refazem os caminhos brasileiros por onde passaram os pais da teoria da evolução. |
| Adriano Belisário |
Em comemoração aos 150 anos da teoria da evolução das espécies pela seleção natural, expedições trilham os mesmos caminhos dos idealizadores da tese que mudou a forma do homem ver a si mesmo. No Rio de Janeiro, uma caravana de professores, estudantes e pesquisadores refez os passos de Charles Darwin na região. No norte, o fotógrafo inglês Fred Langford foi ao rio Negro e Uapés para passar pelo trajeto percorrido por Alfred Wallace, naturalista pouco conhecido, mas crucial no desenvolvimento da teoria. |
Leia o artigo original
Tuesday, November 18, 2008
Tuesday, August 19, 2008
Simpósio Comemora a Presença Britânica na Bahia

SIMPÓSIO INTERNACIONAL DIPLOMACIA, ECONOMIA e CULTURA. A HISTÓRIA DA PRESENÇA BRITÂNICA NA BAHIA - de 3 a 8 de novembro de 2008
Conferência de abertura: A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808 – Prof. Kenneth Light
Visite o novo blog dedicado a este evento: britanicosnabahia.blogspot.com
Wednesday, August 13, 2008
Seminário 8º Conde dos Arcos
Com a intenção de marcar de forma significativa a passagem dos 205 anos da chegada ao Brasil do 8º Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, e ainda os 180 anos de sua morte, a Faculdade 2 de Julho patrocina o seminário “O 8º Conde dos Arcos: Seu Percurso e Circunstâncias no Brasil".
Em meio às festividades dos 200 anos da chegada de Dom João VI ao Brasil, a celebração tem uma importância especial para a Faculdade já que a instituição funciona ao redor do Palácio do Conde dos Arcos, moradia oficial do homenageado.
Sediado na instituição, o evento vai ocorrer de 6 a 9 de outubro com a presença do atual Conde dos Arcos, D. Marcus de Noronha da Costa, descendente do 8º Conde dos Arcos, e que vem diretamente de Portugal para o encontro. Além dele, já tem presença confirmada o diplomata João Sabido Costa, cônsul geral de Portugal.
O evento, criado pelo professor Jaime Nascimento, do Instituto Histórico e Genealógico da Bahia, vai mostrar as controvérsias sobre a personalidade de um homem que chegou aos mais altos postos do Brasil: vice-rei, governador e capitão-general da Bahia durante o século XIX .
Considerado por uns como um homem íntegro e líder justo; por outros, o Conde dos Arcos não passou de um déspota.O seminário vai discutir estas duas faces - tirano ou visionário - com o intuito de promover o estudo e o debate sobre a biografia, as influências e as realizações de um dos mais representativos nobres da elite portuguesa do século XIX, e sua importância para a História da Bahia e do Brasil.
Friday, June 13, 2008
O Cemitério visto da Baía de Todos os Santos
Friday, June 06, 2008
STF decide que cemitério religioso sem fins lucrativos é imune à cobrança de IPTU

Os cemitérios que funcionem como extensões de entidades religiosas, não tenham fins lucrativos e se dediquem exclusivamente à realização de serviços religiosos e funerários são imunes à incidência do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Este entendimento foi firmado, nesta quarta-feira (21), por unanimidade, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 578562. Nele, a Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério Britânico de Salvador (BA), pertencente à Igreja Anglicana, contestava decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que não reconheceu o direito de a instituição religiosa deixar de recolher o IPTU referente à área em que se localiza seu cemitério.
Penhora
O processo se originou do fato de a Fazenda Pública da capital baiana haver obtido a penhora do Cemitério Britânico, em virtude de uma alegada dívida de IPTU no valor de R$ 41.831,70, relativa aos anos de 1994 a 1996. A Igreja Anglicana opôs embargos à execução da penhora, julgados procedentes pelo 2ª Vara da Fazenda Pública de Salvador.
Dessa decisão, a Fazenda Pública soteropolitana recorreu ao TJ-BA, que reformou a sentença do juiz de primeiro grau. A Câmara Cível Especializada daquele tribunal fundamentou sua decisão no argumento de que "a imunidade prevista no artigo 150, VI, "b", da Constituição Federal (CF) de 1988 (que veda a tributação de templos religiosos), invocado pela igreja, não se aplica aos cemitérios, pois estes não podem ser equiparados a templos de culto algum, não sendo possível estender sua abrangência".
No recurso interposto no STF, a Igreja alegou, além da violação do artigo 150, VI, b, ofensa aos artigos 5º, incisos XXXV e LIV, CF (ofensa ao devido processo legal), pois não pode defender-se contra o lançamento do imposto.
Sustentava, em síntese, que "a Corte baiana deu provimento ao apelo do fisco porque entendeu que a expressão `templos religiosos de qualquer natureza´ (art. 150, VI, "b",CF) não alcançaria a capela onde se realiza o culto da religião anglicana e o respectivo cemitério dos britânicos, conferindo-lhe tratamento somente dispensado às empresas que exploram cemitérios comerciais".
Decisão
O relator do RE, ministro Eros Grau, não só acolheu o argumento da defesa da Igreja de São Jorge e Cemitério Anglicano, como ainda fundamentou seu voto a favor da tese da imunidade tributária do cemitério nos artigos 5º, inciso VI, e 19, inciso I, da Constituição Federal, que asseguram a liberdade de crença e de culto e garantem a proteção aos locais de culto e suas liturgias, vedando a sua obstrução.
Acompanhado em seu voto por todos os ministros presentes à sessão, o ministro-relator fez uma distinção clara entre os cemitérios de caráter comercial, que alugam jazigos e serviços com objetivo da obtenção de lucro financeiro. Segundo ele, o cemitério em questão, assim como muitos outros pertencentes a entidades religiosas, é extensão do templo dedicado ao culto da religião, no caso, a anglicana. Segundo ele, esta entidade se dedica à preservação do templo, do cemitério e do próprio culto que professa.
Equipara-se, assim, a entidade filantrópica.
Em seu voto, ele citou como precedente o voto dissidente proferido pelo ministro Gilmar Mendes, atual presidente do STF, por ocasião do julgamento do RE 325822. Na oportunidade, o ministro defendeu uma abrangência mais ampla do conceito de templo como local de religião, entendendo que nela deveriam ser incluídas, também, as dependências acaso a ele contíguas, desde que não empregadas para fins lucrativos.
Patrimônio Histórico
Situados em local nobre da capital baiana (a Ladeira da Barra), a capela e o cemitério anglicanos foram construídos há 200 anos por ingleses que acompanharam a família real portuguesa em sua vinda ao Brasil, em 1808.
Segundo a defesa, foi lá que, em 1810, D. João VI celebrou com o governo britânico o tratado de livre navegação, ocasião em que foi assegurado aos cidadãos britânicos residentes em Salvador o direito de lá celebrarem seus cultos e enterrarem seus mortos.
O local é tombado pelo Patrimônio Histórico da Bahia e há um processo de tombamento, com a mesma finalidade, em curso no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Ministério da Cultura. O lugar está aos cuidados da Igreja Anglicana, fundada há mais de 400 anos pelo rei Henrique VIII, da Inglaterra.
Thales de Azevedo lamenta destruição da "bela e antiga igreja anglicana do Campo Grande"

Coisas passadas, mesmo que não sejam muito distantes, podem parecer sem interesse para o presente...ora, pra que puxar por elas? Dirão alguns. Certo é, porém, que o presente se tece no passado e depende muitas vezes daquele. Isto me vem à mente agora desde que fui encarregado, no Conselho Estadual de cultura, de dar parecer sobre o tombamento do Cemitério dos Ingleses na Ladeira da Barra, muito justificado, sobretudo depois que em 1975 ocorreu o desaparecimento do mais significativo marco da presença britânica entre nós, a bela e antiga igreja anglicana do Campo Grande, a St. George’s Church, derrubada para a construção de um qualquer prédio de apartamentos. Essa iniciativa roubou à Cidade do Salvador um dos seus mais valiosos monumentos, desde 1853, sem que tivesse havido na ocasião ao menos um protesto. Falava esse monumental templo da numerosa presença, como ainda agora felizmente recordada por aquele cemitério, de súditos de S.M. britânica que viveram e trabalharam conosco, contribuindo para nossa cultura e civilização desde pelo menos a lendária abertura dos portos em 1808 pela Carta Régia do príncipe dom João, logo D. João VI, que, continuando a secular aliança luso-britânica, criou condições comerciais privilegiadas no País para os daquela nação. Quanto à Bahia pouco ou nada sabemos, a não ser alusões de Gilberto Freyre no livro Ingleses no Brasil (1948). Faz-se preciso que estudemos e analisemos nosso século XIX desse ponto de vista.
Monday, March 03, 2008
IPTU do Além
Seguem trechos do artigo:
"O Cemitério dos Ingleses, na Ladeira da Barra, fundada depois que os portos brasileiros foram abertos 'às nações amigas' em 1808 por D. João VI, deve cerca de R$1 milhão de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Este total foi estimado pelo cônsul honorário britânico [sic] Nigel Lee, com base nas cinco execuções expedidas nos últimos 15 anos pela Secretaria da Fazenda. Ele sabe que, de acordo com as notificações que recebeu, se o débito não for quitado, 'a propriedade pode ser leiloada'".
"Há dois anos, o Cemitério Britânico, com cerca de 3.200 m2, vem sendo restaurado para que o seu valor histórico e paisagístico seja preservado... Há lápides, placas e monumentos esculturais dos séculos XIX e XX que compõem o acervo da arte cemiterial do Estado, além do próprio mérito histórico já reconhecido por um tombamento. O livro de assinaturas do cemitério, que agora funciona como museu ao ar livre, registra o interesse de visitantes de vários países. Para entrar lá, basta tocar o sino que fica pendurado no portão".
Tuesday, February 26, 2008
Cenas da Reinauguração
| Rededication of the British Cemetery |
Reinauguração do Cemitério dos Ingleses
Monday, April 09, 2007
Fotos clicadas por Tim Divine
| Cemetery photos by Tim Divine |
Seppuku na Cidade do Salvador
Como um tenente da Marinha Japonesa acabou
enterrado no Cemitério dos Ingleses no século XIX
Sabrina Gledhill
Sexta-feira, 7 de outubro de 1870. “Às 4.00h, aconteceu uma terrível tragédia a bordo do Liverpool. O pobre do Oficial Japonês, que andava bastante desanimado porque tinha dificuldade em aprender nossa língua, técnicas de navegação etc., cometeu haraquiri...no salão dos oficiais”.
Assim, o diário de Marcus McCausland, um aspirante da Marinha Britânica, escrito a bordo do HMS Liffey durante a circum-navegação do mundo realizada pela Esquadra Volante em 1869/70, registra o triste fim de um tenente da Marinha Japonesa. Ainda de acordo com este diário e os registros da Igreja e do Cemitério dos Ingleses na Bahia, o oficial foi enterrado na Cidade do Salvador na mesma data.
Como foi que um japonês se juntou à tripulação de um navio britânico? E por que veio parar na Bahia? Qual a verdadeira causa do desespero que o levou ao suicídio? Para tentar responder a estas e outras perguntas é preciso começar recontando um pouco da história de dois impérios na segunda metade do século XIX – o Império Meiji e o Império Britânico.
200 anos de portos fechados
Assustado com os sucessos da Companhia de Jesus e outros missionários cristãos na conversão dos japoneses, o xogum Togukawa Iyemitsu (1623 a 1641) fechou os portos para o Ocidente em 1635 e expulsou os portugueses em 1639 – uma política chamada sakoku. Além de barrar a entrada de estrangeiros, o xogunato dos Tokugawa proibiu seus súditos de saírem do país sem a expressa autorização das autoridades do bakufu de Edo (Tóquio), o regime estabelecido por Tokugawa Ieyaso no século XVII. Esta proibição só seria levantada dois séculos depois. A pena de morte aguardava aqueles que desobedecessem, mas sempre havia alguma alma intrépida disposta a arriscar-se e conhecer o mundo afora. Um dos casos mais notáveis aconteceu na última década do século XVII. O médico Nakajima Chojiro conseguiu fugir do Japão a bordo de um navio batavo e cursar Medicina na Universidade de Leiden na Holanda por dois anos. De volta a seu país de origem, burlou mais uma vez a vigilância das autoridades e continuou a exercer sua profissão.
Finalmente, no ano 1853, o governo norte-americano decidiu abrir o mercado japonês a ferro e fogo e enviou o Comodoro Perry e sua esquadra de “Navios Negros” para cumprir esta missão. Depois de duzentos anos de isolamento e paz, o Japão tinha duas grandes desvantagens – uma marinha fraca e pouca experiência na área de diplomacia e tratados comerciais. Portanto, o bakufu assinou um acordo desvantajoso com os Estados Unidos que marcou o fim do xogunato dos Tokugawa. O último xogum foi deposto e substituído em 1867 pelo jovem e carismático Imperador Mutsuhito, cujo reino ficou conhecido como o Império Meiji (“Governo Iluminado”). O Imperador do Japão, Mutsuhito, ocupou o Trono do Crisântemo até 1912, tornando-se um símbolo da modernização. Marcou o início de uma revolução nacional, ao introduzir idéias e tecnologias ocidentais.
A Inglaterra entra em cena
O Japão já tinha algum conhecimento do mundo ocidental, principalmente através de livros trazidos pelos navios batavos e juncos chineses. No início, havia pouco interesse pela Inglaterra. O primeiro estudioso japonês a pesquisar esse país foi Honda Toshiaki, que, na década de 1790, apresentou uma caracterização idealizada da prosperidade econômica dos europeus. Segundo o historiador inglês Andrew Cobbing, Honda Toshiaki foi um pioneiro no sentido de argumentar que o estudo sistemático da Inglaterra poderia ter vantagens práticas para o Japão. Ao seu ver, essa nação seria ideal e a referência para o comércio estrangeiro com o Japão. Honda argumentou que, se o governo japonês seguisse seu plano para a construção de um império comercial envolvendo os territórios setentrionais, “Sem dúvida surgirão dois países supremamente prósperos e poderosos no mundo; o Japão no Leste e a Inglaterra no Oeste”. A linguagem que Honda utilizava na época lembra a política de fukoku kyohei (nação rica, exercito forte), que mais tarde tornar-se-ia o lema do Império Meiji.
Estudantes japoneses no exterior
Ainda durante o governo bakufu, grupos de estudantes japoneses tiveram a oportunidade de viver e estudar no Ocidente. Mas antes, tiveram que passar por um dos centros de ensino chamados rangaku (com ênfase na cultura holandesa), localizados nas cidades de Nagasaki, Edo e Osaka, onde aprenderiam noções de línguas estrangeiras, medicina, navegação ou a ciência da artilharia. Na década de 1860, a tradição de estudos rangaku cedeu lugar para os estudos ocidentais, ou yogaku. Estes priorizavam a aprendizagem da língua inglesa, devido ao número crescente de navios mercantis da Inglaterra, dos Estados Unidos, da França e da Rússia que atracavam nos portos abertos ao comércio com estes países.
Também havia grupos de estudantes chamados mikkosha que viajavam clandestinamente para o exterior, às vezes sob a égide de seu han, ou clã feudal. O caso mais conhecido foi de um grupo de cinco oficiais da província de Choshu, que incluiu um futuro estadista, Hirobumi Ito. Já matriculado na Universidade de Londres, Hirobumi soube pelos jornais londrinos que seu han estava travando uma luta contra as grandes potências ocidentais e voltou correndo para tentar convencer os rebeldes de Choshu da futilidade de enfrentar as forças unidas das maiores potências ocidentais, mas viu seu intuito frustrado.
As Batalhas de Shimonoseki começaram em 1863. A batalha final – durante a qual os rebeldes enfrentaram uma esquadra de navios de guerra ingleses, franceses e batavos, acompanhada, num gesto simbólico, por um navio norte-americano, enviado para mostrar a solidariedade de seu país, que vivia a Guerra de Secessão – durou dois dias, seguida pela rendição dos rebeldes em 8 de setembro de 1864. O acordo negociado depois do cessar-fogo obrigou o governo japonês a pagar uma indenização de US$3 milhões.
O Japão também se rendera às armas mais avançadas do Ocidente quando a Marinha Britânica bombardeou a cidade de Satsuma, capital de Kagoshima, em 1863, em retaliação à morte de um comerciante inglês. Estas e outras experiências convenceram o governo bakufu a redirecionar seus esforços. Ao invés de incentivar os elementos xenofóbicos a atacar os estrangeiros nos portos abertos ao comércio, buscaria adquirir o conhecimento militar das potências ocidentais diretamente, sendo um pioneiro da transferência de tecnologia no Oitocentos – sem falar da espionagem militar e industrial.
Aprendendo com o inimigo
No início da restauração do Imperador Meiji, a sede do governo foi transferida da cidade de Kyoto para Edo (Tóquio) e o poder político passou das mãos do xogum para um pequeno grupo de nobres e ex-samurai, que implementaram várias reformas. Decidido a enfrentar o imperialismo europeu e norte-americano, o governo Meiji priorizou a reforma militar. O novo exército adotou o modelo da Prússia, mas a marinha seguiu o exemplo da Inglaterra, na época uma superpotência naval. Para tanto, a partir da década de 1870, centenas de japoneses foram enviados ao estrangeiro para estudar línguas e ciências ocidentais, enquanto especialistas estrangeiros levaram seu know-how para o Japão. Foi neste contexto que dois oficiais da Marinha Japonesa embarcaram na Esquadra Volante com a missão de adquirir, a todo custo, o domínio da língua inglesa e das técnicas de navegação da Marinha Britânica. Um deles era o “estudante japonês” de 22 anos cujo nome foi registrado nos arquivos da Igreja e do Cemitério dos Ingleses da Bahia como “Mayoda” ou “Hyeen,” mas segundo informações fornecidas à autora por Prof. Dr. Andrew Cobbing em abril de 2006, chamava-se Maeda Jūrōzaemon e era originário do domínio de Satsuma, no sudoeste do Japão: “Segundo os registros japoneses, no quinto mês de 1870, Maeda, junto com Ittsuki Ichirō, originário de Tokushima, tornarem-se os primeiros estagiários a serem enviados para o estrangeiro pelo Ministro de Assuntos Militares (Hyōbushō) (Nihon Kaigun Enkaku – Linha do Tempo da Marinha Japonesa)”.
A viagem da Esquadra Volante
A princípio, a Esquadra Volante (ver tabela) foi encarregada de uma missão muito diferente. Os objetivos de sua viagem, que seria a última circum-navegação realizada por navios ingleses de propulsão mista – vela e vapor – e cascos de madeira, eram “brandir a bandeira” da Grã Bretanha e demonstrar o poder e a pujança da Marinha Britânica em todos os mares e oceanos. O objetivo protocolar que a esquadra inglesa e os oficiais japoneses tinham em comum era o de “promover o avanço e a instrução da arte de navegação”.
Comandados pelo Contra-Almirante Geoffrey T. Hornby, a maioria dos navios que formavam a esquadra zarpou do porto de Plymouth em 19 de julho de 1869, retornando para o mesmo em 15 de novembro de 1870 após uma viagem de 53 mil milhas náuticas. Antes de seguir para o Oriente, a esquadra aportou na Bahia em 2 de agosto de 1869. A primeira impressão registrada no diário do aspirante Marcus McCausland no dia seguinte não é de toda ruim: "Desembarquei e visitei a cidade. Seu aspecto é típico de uma cidade portuguesa, é imunda e seus cidadãos são aproveitadores. Besouros verdes e beija-flores parecem ser as grandes curiosidades do local, mas alguns dos nossos oficiais compraram sagüis. A cidade está construída numa ladeira que desce até o mar e, vista do navio, é muito agradável”.
Partiram para o Rio de Janeiro no dia seguinte, lá chegando no dia 16. Durante sua estada, o HMS Liffey foi inspecionado por D. Pedro II – segundo McCausland, “um homem muito distinto” – e os marinheiros ganharam uma partida de críquete contra a comunidade britânica local, seguida por um grande baile “oferecido pelos derrotados”. Em 25 de agosto, seguiram viagem rumo à Austrália e Nova Zelândia. Chegaram ao Japão em abril de 1870. Aportaram em Yokohama no dia 6 para obter carvão e reaparelhar os navios, e à capital, Edo/Tóquio, no dia 14.
Em Yokohama, Marcus McCausland observou a transformação que a cidade sofrera desde sua última visita em 1863: “Onde havia meia-dúzia de navios, agora tem duas ou três centenas; o mesmo aconteceu com as casas no litoral. Também construíram um magnífico Clube Náutico”. Após uma visita a um campo de execução nesta cidade, ele descreveu as várias maneiras de matar os condenados, observando no seu diário que o haraquiri – chamado seppuku pelos japoneses – era a forma de morte mais digna, um privilégio reservado para um membro da casta militar. De fato, o haraquiri foi, por séculos, a maneira mais honrosa para um samurai partir desta vida. Era uma parte essencial do bushido, ou “caminho do guerreiro”, o código de honra do samurai. Segundo o Professor Pedro Antonio Domingues, da Universidade de São Francisco, “Seguir o bushido, era dar ênfase à lealdade, fidelidade, [abnegação], justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial, honra e, acima de tudo, morrer com dignidade”. O objetivo principal do haraquiri era lavar a honra como guerreiro. Havia vários motivos para tomar esta saída honrosa, voluntária ou forçada, entre eles: a morte do daimio ou senhor feudal e uma missão fracassada.
Já na cidade de Edo, o tio do “Mikado”, como os ingleses chamavam o Imperador do Japão, visitou o navio capitânia, o HMS Liverpool, em 16 de abril. No dia seguinte, o almirante e todos os capitães dos navios tiveram uma audiência com o próprio Imperador, cujo rosto estava parcialmente escondido por “uma espécie de tela”. Depois de outra parada rápida em Yokohama, foram para o Canadá, onde o aspirante registrou a presença dos dois oficiais recém embarcados, provavelmente em Yokohama, no dia 3 de maio “Temos dois tenentes japoneses com a esquadra. Um está no navio capitânia e o outro a bordo do Phoebe. Estão viajando à Inglaterra conosco para receber instrução”.
No caminho de volta, passaram pelo Havaí, enfrentaram o estreito de Magalhães e – depois de divulgar a falsa informação que o Rio de Janeiro seria sua próxima parada (segundo McCausland, uma “ruse de guerre”) – baixaram âncora mais uma vez na Bahia, um porto indispensável para navios que vinham do mundo todo em busca das abundantes águas da Cidade do Salvador e seu Recôncavo, sem falar de seus estaleiros e suprimentos.
O HMS Liffey chegou à Bahia de madrugada, às 2.00h do dia 5 de outubro de 1870, uma quinta-feira: “O calor aqui é muito intenso. Desembarcamos e encontramos tudo mais ou menos como estava antes. 17.20h A Esquadra chegou.... Só estávamos 5-3/4 horas na sua frente, porque chegamos na barra do porto à noite [sendo impedidos de entrar por causa do escuro]. Nos mandaram na frente para encomendar os bois etc. e fazer todos os preparativos antes da chegada da esquadra, para que pudéssemos zarpar imediatamente. Infelizmente, o Satélite perdeu o leme e tivemos que desarmá-lo para que pudesse ser consertado”.
No próximo apontamento, a alteração da caligrafia do aspirante reflete seu espanto ao descrever a morte do oficial japonês: “Parece que ele foi proibido de freqüentar o salão por algum tempo porque costumava amolar seu punhal de cinco em cinco minutos [provavelmente dando a impressão de querer utilizá-lo contra alguém ou contra si mesmo]. Na manhã do ocorrido, ele entrou no salão às 4.00h e sentou-se sobre sua maleta. Quando, seguindo ordens, o sentinela entrou para expulsá-lo, [o Maeda] puxou o punhal e rasgou o ventre, antes de apunhalar-se três vezes na garganta. Ele sobreviveu apenas quinze minutos. [Ittsuki Ichirō] ergueu uma lápide para ele e nos informou que um exame os aguardava no Japão. Se não fossem aprovados, seriam condenados a cometer haraquiri. O corpo foi sepultado no cemitério britânico”.
Apesar de ser um suicida – e portanto, para os protestantes e católicos, ter morrido em pecado mortal – o jovem tenente japonês foi enterrado com ritos anglicanos celebrados pelo Reverendo Caley. Certamente, sua morte foi considerada honrosa pelos japoneses. Segundo o historiador militar inglês Stephen Turnbull, “No universo do guerreiro, o seppuku era um ato de bravura considerado louvável num samurai que reconhecia ter sofrido uma derrota, uma humilhação ou um ferimento mortal. Significava que ele podia chegar ao fim de sua vida com todas suas transgressões apagadas e, mais do que manter seu bom nome, alcançar o renome”.
O Tenente Maeda falhara sua missão mas lavara sua honra, de acordo com o bushido. O historiador brasileiro Cid Teixeira informa que uma fragata japonesa aportou na Bahia alguns anos depois para prestar homenagem a seu conterrâneo. Infelizmente, quando aqui chegou, não foi encontrado o lugar do enterro. O cadáver havia sumido, junto com a lápide. Tudo que nos resta sobre a sepultura de Maeda Jūrōzaemon é sua localização no mapa e nos registros do cemitério.
Em 1873, três anos depois da morte do oficial japonês na Bahia, o Imperador Meiji aboliu o uso do haraquiri como pena de morte. Mesmo assim, há registros de casos de seppuku voluntário no Japão pelo menos até o século XX.
Para saber mais
Online:
Wikipedia
Era Meiji
http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_Meiji
Samurai
http://pt.wikipedia.org/wiki/Samurai
The Cruise of the Flying Squadron
http://www.pbenyon.plus.com/Flying_Squadron/Contents.html
The Japanese Discovery of Victorian
Andrew Cobbing. Ed.

